quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Poço

Vamos lá, dizes para mim hà quantos dias choras...

Dois infinitos dias de lágrimas, mas por favor guarda segredo. A frágil esfera do sentir não deve ser exposta. Mundo de pedras, mundo de perdas...

Oras, me contes, por que choras?

Erros humanos, passados, presentes. Repetidos erros de seres de barro, de lava e desejo.
Qual fogo queimo e me consumo em medo.


Criastes quantas ilusões pequena alma!

Sim, perdi-me nesta voracidade de consumir desejos. Peço tolo, para cada estrela um novo recomeço. Ai se me ouvirem, ai se me ouvirem. Qual castelo de cartas desfaleço.

Efêmero ser vermelho e quente, gelastes o coração e agora o tem derretendo, eres desgelo.

Dói, dói. Como dói. PAra, para!

Se parares como amarás as flores? Tocaras os lírios do campo com vossos lábios turvos, arroxeados, inundados de medo e desejo?

Óh não! Dá-me a sutileza das nuvens, para amaciá-las as pétalas. Dar-lhes brilho de orvalho. Jamais queimaria sedas fragâncias com o toque gélido do ser. Remir, remar, remir.

Deitardes no rio? Agora espera. A água lava. A água ama e nutre. Dar-te de beber, a grande mãe o faz. E tu? o que dardes a ela?

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